sábado, 5 de dezembro de 2009

O espetáculo das novas tecnologias




Quando eu ouvi falar em Google Wave, não conseguia entender muito bem do que se tratava e, quando perguntava a um amigo mais nerd que eu, ou que já tivesse recebido um dos cobiçados convites para utilizar esse novo serviço, nunca recebia uma resposta satisfatória. Isso me fez até perder o interesse em desvendar a tal nova ferramenta da Google. O frisson que se instalou, no entanto, no mundo virtual (principalmente no Twitter, de onde o termo “Google Wave” não sai dos Trending Topics há meses), instigou-me a tentar entender melhor que raios é o Wave: um novo tipo de e-mail? Um site de relacionamentos? Um sistema de conversa instantânea?

Agora que tenho a minha conta e já domino as funções e possibilidades do Wave, me vejo na situação contrária: quando me perguntam o que é, não consigo pensar em nenhuma analogia que dê conta de ilustrar a definição desse novo produto da Google, pois é, simultaneamente um site de relacionamentos, um novo tipo de e-mail, um instant messenger e, ao mesmo tempo, não é nenhum dos três – tudo o que me permito dizer ao tentar conceituá-lo é que o Wave, simplesmente, é uma nova forma de se comunicar.

Sei que pareço exagerado, ou maravilhado, ao dizê-lo, mas com esse vídeo (super longo) que explica como utilizar a novidade, fica mais fácil entender não só o que é o Wave, mas o que eu quis dizer:



Essa dificuldade de definir me lembrou a teoria de McLuhan sobre os meios de comunicação como extensões do homem e como eles influenciam nossa vida na formas mais cotidianas, inclusive e, principalmente, na maneira como pensamos, como organizamos a nossas idéias. Obviamente, o fato de o chefe de engenharia do projeto, Lars Rasmussen, no vídeo, dizer com essas mesmas palavras o que diz a teoria de McLuhan também ajudou.

Ele chega a atestar que, depois que deixou de utilizar as ferramentas de comunicação que utilizamos mais comumente hoje, e passou a trabalhar com o Wave, seu raciocínio funcionou de forma diferente.


João Pedro Sá.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Proibido para os baixinhos (ou deveria !!!)



Ao ler o post da Mayara Santos sobre o filme Little Miss Sunshine, fiquei refletindo sobre a insersão das crianças na mídia. A imagem de uma criança no senso comum social nos indica inocência, pureza, verdade, brincadeira, sonhos e muitos outros sentimentos que remetem a ideia de ingenuidade presente na espécie humana. Há um tempo atrás os programas de público infantil, como castelo rá tim bum, chaves e cocoricó faziam sucesso entres os pequenos, o natural era ver seu filho ou filha brincando com bonecos e jogos de tabuleiro, que normalmente eram direcionados para desenvolver alguma faculdade mental, mesmo com toda a mediação tecnológica que já ocorria( tv, videogames, rádio, cinema). Porém, contemporâneo à nós, nos deparamos com meninas que se preocupam mais em vestir a si mesmas do que suas bonecas, é certo que a juventude hoje em dia tem um comportamento bem diferente do esperado pela sociedade, mas sabemos que este comportamento foi sendo inserido de forma sutíl no universo infantil e boa parte foi através dos meios de comunicação tradicionais.
O exemplo mais evidente do espetaculo produzido pela mídia em torno da imagem da criança é a apresentadora da rede de TV Sbt: Maísa. Com pouco mais de 7 anos ela é apresentadora unânime dos programas infantis do Sbt, rendendo até um “Caso Maisa” às outras emissoras, no momento em que num quadro do “Programa Silvio Santos”, numa brincadeira, a pequena apresentadora chora, grita e chama por seus pais(Pausa para opnião pessoal: Ela chorou ao ver um menino com uma maquiagem gótica, e acredito que ninguém imaginava que ela teria tal reação - http://www.youtube.com/watch?v=PaC4m4xeemQ). Na época isso teve uma repercussão enorme na Mídia, muitos blogs, fóruns, tweets, dentre outros meios de postagens na rede, foram feitos nesse embate de quem merecia culpa nessa exposição fora de controle. Na maioria das opniões a culpa é dos pais, pois segundo o “senso comum” eles que sabem o que é melhor para seus filhos, porém será que eles sabiam desse quadro ou também, será que do mesmo jeito que a menina foi barrada para sair do palco eles não o foram para entrar? Essa incógnita ficará indissolúvel, pois todo espetáculo precisa ser “alimentado” para que possa permanecer-se como tal(Como escutei hoje: “A gente precisa ser visto para ser lembrado!”). Portanto a Maísa continua sendo apresentadora, seus pais continuam recebendo seu salário-poupança, as crianças continuam assistindo ao Sbt, e Silvio Santos continua ganhando dinheiro às custas de nós, telespectadores, que como fazemos com a política, esquecemos o que nos incomoda para não termos o trabalho de pensar .

Além deste tipo de exposição, que mostra como a visão de mundo dos dias atuais não comporta mais a ingenuidade presente no pensamento de uma criança(Maisa teve medo da mesma maneira que seria ter-se medo de escuro ou de palhaço né?! Não tem explicação racional para isso), também me parece que o pudor foi esquecido, essa vergonha que separa a inocência da malícia perdeu o sentido dentro do modelo mercadológico atual. Está cada vez mais distante a época na qual crianças, nos seus 8 ou 9 anos, colocavam vestidinhos feitos por suas avós, bordados com rendas. Por vontade própria elas querem aderir à forma adulta de se vestir, de se portar, de falar e de andar, mas até que ponto esse pensamento já não vem sendo estimulado neles? Fiquei abismada com o merchandising feito pela marca de roupas infantis “Lilica Ripilica”, o qual utiliza em seu conjunto o slogan “Use e se Lambuse”, e a imagem de uma criança esticada num divã com um “Hot-Dog” na mão, lambusada de molho na boca, ou seja, minha memória fez na mesma hora uma alusão a Lolita. Por favor me respondam, em qual mundo a imagem de uma criança deveria ser associada a da Lolita(entenda aqui como menina por volta dos 9 anos sendo notada sexualmente)? Esse tipo de propaganda afeta toda uma ética criada para proteger nossas crianças. As “armas” utilizadas pela mídia para atingir seu público chegou a seu limite, na minha opnião. Retomo agora como a Mayara o fez, o exemplo do filme, que produziu com louvor , de forma espetacular( em todos os sentidos da palavra), uma crítica a essa forma de posicionamento da criança nos veiculos de mediação de massa como cinema, tv e outdoor.

P.S.: Deixem seus comentários!!!!

Sara Faro

O Espetáculo do Simulacro



"Atividade Paranormal" é o novo filme sensação do momento. O filme, dirigido por Oren Peli (que antes do filme desenvolvia games para ganhar a vida) não conta muita coisa: acompanhamos o casal Katie e Micah a lidarem com estranhos fatos que ocorrem na casa de subúrbio que os dois passam a morar. Ao contrário de "District 9" (cujo maior ponto de destaque reside na boa mistura de gêneros cinematográficos), outro filme que gerou burburinho no ano de 2009, "Atividade Paranormal" retrabalha com bastante fidelidade uma "nova" matriz do gênero de horror, o horror-reality.

"Atividade Paranormal" segue a cartilha "A Bruxa de Blair", um outro famoso filme de horror que espetaculariza as sensações de angústia do espectador. Quando esse último surgiu, há 10 anos atrás, o gênero de horror se via desgastado enquanto matriz, pois os novos filmes que surgiam inserido dentro do código do horror usualmente trabalhavam no regime da alusão, como a série "Pânico". Dessa forma, "A Bruxa de Blair" foi saudado como um respiro de criatividade dentro do gênero. No entanto, o que há de mais interessante na ocasião do sucesso do filme citado é sua estratégia de lançamento. Ele contou com um grande boca-boca que se avolumou através da internet. Dessa forma, o espectador já esteve em contato (partilhando experiências e sensações) com o filme muito antes de ele estar estrando nas telas das salas de cinema.

Se "Atividade Paranormal" é uma pastiche dos filmes de casa mal assombrada, o que vemos agora é "Bruxa de Blair" também gerou uma nova forma (uma matriz, talvez?) de marketing de filmes. Concorda-se aqui com Adorno, que diz que a Indústria Cultural não inspira a ida às matrizes, conformando-se com novas leituras de um mesma forma de "fazer artístico". Dessa forma, "Atividade Paranormal" é louvado como uma novidade, como se fosse algo que não se acontece na produção contemporânea. A Indústria Cultural procura dar a falsa impressão da diferença, no qual a repetição das fórmulas acaba sendo um trunfo para o filme, gerando prazer no consumo seriado dessas fórmulas.

Além disso, "Atividade Paranormal" acredita na tese de que o indivíduo é parte produtora da cultura midiática. O grande potencial-viral do filme é fazer acreditar que o que acontece na narrativa poderia estar acontecendo com qualquer um. E é partir disso que ele se estrutura como um fruto da nossa percepção do real. Fato esse que é explorado na divulgação do filme, que usa imagens de pessoas "reais" se assustando ao assistirem a película. Ao se apoiar na divulgação boca-boca no ambiente da internet, ele se aproxima ainda mais desse cotidiano espetacularizado no qual a ambiente web é o grande tropos do espetáculo midiático. No filme, vemos o cotidiano de um casal sendo espetacularizado. Vemos o mundo desse casal mediado por imagens de câmeras (que no final das contas, reproduzem a lógica do nosso próprio mundo, que é invadido por câmeras e mediado por imagens o tempo todo). A imagem, conforme o filme entende muito bem, está no campo da incerteza, garantindo o aspecto especulativo dessa nova prática de leitura do horror contemporâneo. O espetáculo, portanto, se instala, já que aqui reina a lógica do que "parece" estar acontecendo.

Aluno: Giovani Barros

A Espetacularização da Morte


Interpretando o conceito de espetáculo em Guy Debord, o jornalista ARBEX JR. (2001) diz que o que é espetacular é a própria sociedade, e o espetáculo “não consiste apenas na multiplicação de ícones e imagens, principalmente através dos meios de comunicação de massa, mas também dos rituais políticos, religiosos e hábitos de consumo, de tudo aquilo que falta à vida real do homem comum: celebridades, atores, políticos, personalidades, gurus, mensagens publicitárias – tudo transmite uma sensação de permanente aventura, felicidade, grandiosidade e ousadia. O espetáculo é a aparência que confere integridade e sentido a uma sociedade esfacelada e dividida”. (ARBEX JR., J. “Showrnalismo – a notícia como espetáculo”. São Paulo: Casa Amarela, 2001).

O espetáculo é contemplação, um mundo onde a vida real – pobre e fragmentária – faz com que cada cidadão comum abdique do seu papel de protagonista para tornar-se espectador. Obrigado a contemplar o outro e a consumir passivamente as imagens de tudo o que lhes falta em sua existência real, eles passam a olhar um outro idealizado (atletas, artistas, cantores de rock, prostitutas grã-finas, políticos, celebridades instantâneas e desnecessárias etc.). Um outro radicalmente diferente e inalcançável, cuja fama é ou deveria ser a expressão de uma realização extraordinária. No espetáculo, o contemplador aceita viver por procuração. Delega aos “superiores” a vivência de emoções e de sentimentos que se julga incapaz de atingir.

A era do espetáculo é também a era das celebridades. Elas são os ícones da cultura da mídia, os deuses e deusas da vida cotidiana, simulando uma superioridade fictícia. São adorados pelos fãs, que se identificam a tal ponto que cada um se imagina no lugar de seu ídolo ou do ‘objeto’ da sua admiração, aspirando à condição de famoso. O outro sou “eu” que deu certo graças às circunstâncias.

Para alguém se tornar uma celebridade é preciso ser reconhecido como uma estrela no campo do espetáculo, seja no esporte, no entretenimento ou na política. Exatamente como as marcas das empresas, as celebridades se tornam marcas para vender seus produtos como Madonna, Michael Jackson, Tom Cruise ou Jennifer Lopez. Na era do espetáculo, entretanto, as celebridades estão sempre sujeitas a escândalos e, é claro que, dentro dos limites, aquilo que é “ruim” e as transgressões também podem vender, de forma que o espetáculo sempre contém os dramas de celebridades que atraem a atenção do público.

Então, esses consumidores, ou melhor, voyeurs que se deliciam com as intimidades alheias, iludidos pela sensação de que as grandes estrelas do cinema são eternamente felizes; reis e rainhas jamais cometem um pecado venial; homens de negócios bem sucedidos nunca sofrem. O espetáculo é a afirmação da aparência. No entanto, quando descobrem que Papai Noel não existe ou que Chapeuzinho Vermelho tinha um caso com o Lobo Mau, passam a ter um mórbido prazer em testemunhar a desgraça alheia.

Na era do espetáculo, cuidadosamente medida pelas oscilações do ibope, tem-se nas tragédias humanas um dos principais carros-chefe, e a espetacularização ao entorno da morte de celebridades é uma delas. A repetição exaustiva de cenas da morte de determinada celebridade garante, certamente, uma bela audiência, foi assim com o Mamonas Assassinas, Princesa Diana, Ayrton Senna, John Lennon, Michael Jackson, e tantos outros. No mercado das emoções promovido pela força do negócio do entretenimento, tudo passa a se banalizar e transforma-se em show, onde há prateleiras para todos os gostos.

O espetáculo é uma mercadoria, de todos os gostos e sabores. No seu bojo, é um fetiche, de forma elaborada e massiva, oferecida de maneira aparentemente gratuita, num contexto social de busca pelo bem estar instantâneo. O interesse pelo trágico, pelo esdrúxulo e pelo escabroso, reflete a ausência de instâncias vivenciais complementares da alma humana. Tudo se confunde nessa sociedade.

O artista plástico Andy Warhol, na década de 1960 foi profético sobre esta nova era. Com a frase: "um dia, todos terão direito a 15 minutos de fama", ao comentar obras próprias baseadas em acidentes automobilísticos; levantou questões importantes sobre a banalização da dor, da tragédia. Na obra “Sixteen Jackies” (imagem 1), as imagens da dor pela perda de um ente querido, estampada e banalizada por todos os tablóides mundo afora, não era a de uma cidadã comum, era a imagem de Jacqueline Kennedy. Warhol multiplica a imagem dezesseis vezes numa crítica à espetacularização da dor.

Júlia Robadey

O Espetáculo do Minimalismo

Dentro da recente lógica de superexposição de praticamente todos os indivíduos usando as novas tecnologias da internet disponíveis (orkut, facebook, twitter, youtube, flickr, etc), algumas pessoas conseguem, propositalmente ou não, extrapolar essa ordem de maneiras invariavelmente curiosas e originais.

O blogueiro Thales Jordão reuniu, num post de seu blog Lista 10, uma lista dos auto-proclamados ''10 piores vídeos de até 5 segundos'', nos quais ele mostra desde como fazer um barquinho de papel até os números do próximo sorteio da mega sena, tudo com no máximo 5 segundos. O resultado é tão tosco que fica engraçado. Seria mais um exemplo do ''show do eu'', tão comum na internet, em que o sujeito buscar a espetacularização de cada elemento de sua vida, mas nesse caso soa mais como uma ironia à esse fenômeno. Da escolha dos temas dos vídeos à cara de deboche na execução, tudo parece uma zomba bem humorada em pequenas doses à recorrente mania de ser expor na grande rede.


Rodrigo Simon

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Show do Eu: Eu, quem?

A combinação entre novas tecnologias e as condições da vida pós-moderna, em que conceitos como identidades fluidas, construção das subjetividades e espetacularização da vida privada tem permitido que as pessoas possam, através de vídeos postados no Youtube, blogs e fotologs, e em suas performances em redes sociais diversas, como Orkut, Facebook e Twitter, se representarem das mais diversas formas. Assim, demarcam, através dessas representações, seus estilos de vida, suas escolhas de consumo, suas idéias e visões de mundo, em um jogo de representações mais dinâmico. Poderíamos entender que tais práticas se inserem naquilo que a autora Paula Sibilia batizou de “Show do Eu”.

No entanto, em alguns casos, tal flexibilização das identidades e construção dos egos através de escolhas racionais e emocionais pode ser contraditório. Quando as representações expostas nas novas e velhas plataformas midiáticas envolvem crianças, como fica a questão da construção dos sujeitos? Um exemplo claro desta contradição pode ser visto ao abrir o link do vídeo abaixo. Nele, um pequeno menino italiano mostra seu culto ao corpo. Este vídeo teve intensa repercussão na rede, tendo sido muito visto. Trata-se, claramente, de um espetáculo de culto ao corpo e construção subjetiva do mesmo, sem que a criança perceba o que realmente está sendo explorado em sua representação:

http://www.youtube.com/watch?v=T-CMrswt_1A&feature=player_embedded

A questão a se pensar é: a quem pertence o “show do eu” nesse caso? Ao menino, ou à seus pais, ou a quem filmou a representação veiculada?

Por Andressa Lacerda

Resumo e análise do programa Esquadrão da Moda.



Vídeos e descrição do programa:

http://www.youtube.com/watch?v=_IIvGONAnU4
http://www.youtube.com/watch?v=CDMO9DEPYcM

Esquadrão da Moda é um reality show exibido pelo SBT terças, às 20h, que ensina o telespectador a entender o que vestir e, principalmente, o que ele não deve usar. A top model e consultora Isabella Fiorentino e o stylist Arlindo Grund formam o casal de especialistas em moda que tem a dura missão de ensinar às "vítimas" como se vestir bem e com estilo.
O exemplo do que acontece em suas outras versões fora do Brasil - originalmente da BBC, chamado "What not to Wear" -, no Esquadrão da Moda do SBT, mulheres consideradas sem estilo ou que simplesmente se vestem de forma inadequada são indicadas por amigos e familiares para participar do programa.
Sem que as participantes saibam, elas são filmadas com câmeras escondidas durante duas semanas em cenas do seu cotidiano, trajando seus "modelitos incríveis". O próximo passo é a abordagem à vítima, sempre feita de forma inusitada pelos apresentadores. Nela, as mulheres são informadas que estão no programa. Assim, vítima, amigos, familiares e o Brasil assistem aos flagras, acompanhados dos comentários implacáveis de Arlindo e Isabella.
No espelho 360°, a vítima confronta seus piores pesadelos, mas aprende a se enxergar sob um novo olhar, além de descobrir, por meio de regras fáceis, como ter estilo e ser elegante.
Após essa traumática experiência, a vítima enfrenta a maior aventura de sua vida: gastar 10 mil reais em roupas! Claro que sempre de acordo com as dicas de moda dos nossos especialistas. Ao final de dois dias de compras, a participante ganha uma mudança radical em seu visual sob a responsabilidade do cabeleireiro renomado Rodrigo Cintra e da maquiadora-chefe da M.A.C, Vanessa Rozan, que dão um toque final na transformação.
Com a auto-estima recuperada, um guarda-roupas repleto de trajes lindos, novos e muito elegantes, a participante reencontra familiares e amigos em uma comemoração na qual todos aguardam ansiosos para conhecer seu novo estilo.

Análise:

A partir da descrição do e dos vídeos do programa "Esquadrão da Moda" é possível perceber que hoje em dia a maioria dos produtos da indústria cultural são ligados a imagem, ao entretenimento e ao espetáculo. A pessoa pode se vestir de um jeito que seja estranho perante toda a sociedade e se sentir bem, mas ela sempre estará sendo julgada pelas leis da imagem e da sociedade. A relação entre as pessoas passa a ser mediada pela imagem, e também tudo o que era vivido diretamente, torna-se uma representação. Portanto, para mim não há forma inadequada ou adequada de se vestir, cada um tem seu próprio estilo e jeito, mas na sociedade de hoje as pessoas precisam aprender a se vestir, o que é uma grande conseqüência do final do século XX quando o principal negócio passou a ser o entretenimento. Na medida em que a vida ficava cada vez mais parecida com um filme, toda a economia parecida estar se reorientando para servir à produção do entretenimento. As indústrias que mais cresciam eram as ligadas ao entretenimento, entre elas estava à indústria da moda, que se poderia considerar, hoje em dia, como fornecedora do guarda-roupa para o filme-vida. Sempre houve um segmento da sociedade ligado a moda, que dependendo da época poderia ter a finalidade de assinalar o status da pessoa ou demonstrar a personalidade do indivíduo. A moda faz parte da estética pessoal do entretenimento e da espetacularização. Nas últimas décadas o crescimento da indústria cultural que Adorno tanto criticou, possibilitou a criação de mais espetáculos e sua multiplicação, que por sua vez ganharam importância em novas áreas da sociedade, excedendo em muito a sua função original no mundo das culturas de massa. No universo da informação é impossível não notar a espetacularização, que fica evidente em meios de transmissão de dados, através dos jornais virtuais interativos ou simplesmente na constatação do incrível sucesso dos tablóides de info-entretenimento. Por isso hoje em dia vemos na televisão vários programas como este ligados a imagem, ao entretenimento e a espetacularização de tudo.
A idéia do programa sem dúvida é totalmente direcionada para o entretenimento desde o momento em que a tal "vítima" é filmada em sua vida cotidiana usando suas roupas que para todos que vêem não estão de acordo com a sociedade ou então com o estilo da pessoa, ou seja, o que era uma curiosidade passou a ser um bem vendável e até o centro das atenções de um programa. A pessoa após ver sua imagem em frente a um espelho e ouvir que não se veste de acordo com a moda deve gastar 10 mil reais para alimentar o vício do padrão de beleza existente na sociedade contemporânea e para afirmar a espetacularização e a vida como um entretenimento.

Júlia Câmara

Caso UNIBAN


O caso da Geisy, a estudante da faculdade Uniban, remete diretamente a um espetáculo. Primeiramente o vídeo em si que mostra a situação ocorrida, mas não venhamos discutir quais atitudes são corretas, podemos, sim, relacionar a uma sociedade que torna-se cada vez mais espetacularizada. Qualquer atitude ou momento que se vive contemporaneamente há um risco de ser registrado, um verdadeiro “show do eu”.
Pode-se ainda linkar com o surgimento das novas tecnologias, as quais, permitem esse tipo de exposição.
Aproveitando o momento dos “15 minutos de fama” com aparição em diversas emissoras e principalmente em programas que utilizam do sensacionalismo para ter audiência, os quais suas matrizes culturas são os excessos. A estudante em questão mudou rapidamente o visual e logo após recebeu um convite para desfilar pela escola de samba Porto da Pedra, que alega ter como tema para o carnaval a moda.
Baseado no conceito de espetáculo, os quais “são fenômenos de cultura de mídia que representam os valores básicos da sociedade contemporânea, determinam o comportamento dos indivíduos e dramatizam suas controvérsias e lutas,...” (Kellner, Douglas) e ainda podemos citar que “o espetáculo é o momento em que a mercadoria ocupou totalmente a vida social.” (Debord, Guy).
Com isso entende-se que a estudante é apenas fruto do comportamento contemporâneo e ela tornou-se uma mercadoria que ocupou a cultura de mídia a qual atinge a maioria, por um motivo puramente banal.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

True Beauty



True Beauty é um reality show exibido pelo canal E!.Os participantes acreditam estar sendo testados apenas pela beleza física, porém são julgados pelos seus comportamentos e atitudes em provas “surpresas”. Os prêmios são 100.000 doláres e sair na revista People como uma das 100 pessoas mais bonitas do mundo. O programa é produzido pela Tyra Banks e pelo Ashton Kutcher.

Só por essa rápida introdução podemos perceber como é o clima desse programa. Desde os produtores aos participantes, tudo beira a frivolidade extrema.
Apesar da tentativa da “distinta” abordagem da beleza, o programa se arrasta em clichês e paradigmas ultrapassados de beleza interior, conflitos e pequenas intrigas.
Quantos aos produtores, é importante alertar Ashton Kutcher, ator, já realizou um outro “reality” com a forte temática da beleza e seus embates sociais Beauty and the Geek .

Já a Tyra Banks, é uma modelo, atriz, apresentadora (o combo mais sonhado pelas meninas bonitinhas) tem 2 programas de muito sucesso. American’s Next Top Model se desdobra na beleza das aspirantes e The Tyra Banks Show (quase cópia da Oprah)

Entre os participantes peculiarmente escolhidos estão algumas misses , artistas”, cantores e strippers. (quase igual a escolha do casting do nosso BBB, mas tudo bem.)

Como em quase todo o reality show, o prêmio não é tão importante para os candidatos, na maioria das vezes, estão mais interessados na projeção e na visibilidade em que o programa dará, e daí em diante fazer sua carreira no mundo das (sub)celebridades e depois de seus 15 minutos de fama, cair em um ostracismo sem fim.


Cada participante desempenha um personagem diferente, sempre tem aquela bitch, a boazinha, o falso enfim, vários atos já previamente conhecidos e desgastados pelos realities shows e pelas tramas das dramaturgias.

As provas são simples: testar a beleza dos participantes de varias maneiras possíveis. Fotos, Leilões dos mais belos, os maiores destaques do tapete vermelho, entre outras.
Junto às provas oficial, passam algumas “surpresas” para testar o caráter dos personagens.


Percebemos como a imagem é fundamental e primordial nesse tipo de programa. Sua projeção certeira e de forma quase sempre superficial ajuda não somente a cada ator participante, mas sim ao desenrolar da trama e o desenvolvimento do programa. Apesar de querer parecer ter uma premissa diferente aos outros realities shows, True Beauty acaba escorregando na futilidade, banalidade e provomendo e explorando de forma mais intensa a questão imagética.


O videozinho a seguir é uma promo antes do lançamento da série

http://www.youtube.com/watch?v=JWgeN5YN6Dw



PS. A série agradou ao público americano, obtendo bonsíndices de audiência, porém ainda não foi feita uma 2º temporada. Isso prova que, por mais desgastada e usada essa temática da imagem esteja, ela sempre é apreciada e cada vez mais espetacularizada.
PS2. Pros fãs de futilidade, exposição imagética e entretenimento televisivo sem compromisso (como eu!), só resta aguardar...


Por: Luana Braga

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Pequena Miss Sunshine – Outro lado do espetáculo.

O filme Little Miss Sunshine, dirigido por Jonathan Dayton e Valerie Faris, lançado em 2006 aborda a história de uma família desequilibrada que percorre o caminho de Novo México até a Califórnia em uma Kombi para levar a filha caçula ao concurso de beleza “Little Miss Sunshine”.
Dentre todos os personagens característicos, quero analisar a personagem Olive Hoover, interpretada pela jovem atriz Abigail Breslin.
Olive é desengonçada e desajeitada. Não nenhum padrão como as outras meninas do concurso, também não tem nenhum talento grandioso. Muito pelo contrário, está, inclusive, um pouco acima do peso.


Nessa análise, quero apontar dois fatos: O filme faz uma crítica (por sua vez, espetacular) aos padrões de beleza. Deixa isso claro de forma assustadora, ao nos depararmos com meninas, tão jovens, com o rosto repleto de maquiagem, cabelos escovados, trançados e roupas um tanto sensuais. Por outro lado, o espetáculo mostra a sua cara ao mesmo tempo em que critica. O fato de apresentar em um dos principais papéis a pequena Olive Hoover, espetaculariza outro tipo de aparência, outro tipo de estereótipo, de família e de vida.
Pois, afinal, de acordo com Guy Debord “A crítica ao espetáculo, também é o espetáculo”.
Entretanto, na minha opinião, o espetáculo tem muitos pontos horrorosos, mas acredito que essa crítica seja um dos únicos ou talvez o único ponto positivo. Mostrar tudo de ruim que o espetáculo traz, mesmo que de forma espetacular, não deixa de fazer com que várias características possam ser repensadas.


Por Mayara Soares

domingo, 4 de outubro de 2009

Texto Kellner

Oi queridos,
deixo aqui o link para vocês baixarem o texto do Douglas Kellner que foi publicado na revista Libero, em 2003.
http://www.facasper.com.br/pos/libero/index3.php
também deixei o arquivo anexado na nossa conta de email coletivo.
aproveito também para chamar a atenção à matéria de ontem do Globo, no caderno Prosa e Verso sobre o papel da blogsphera na discussão sobre o cotidiano e a política em Cuba. tudo a ver com nossas conversas em aula. e muito pertinente para a teoria de Kellner e de Barbero (nosso próximo tópico afinal).
aqui vai o link para o principal portal Voces Cubanas
http://vocescubanas.com/

bjs
Mariana Baltar

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Tirinha sobre copyright, left e como diria Joel in the midium..

Será que aluna antiga pode postar? : )


Letícia Gelabert

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Infinito ao Meu Redor - Marisa Monte

Estou postando o link do trailler do documentário "Infinito ao meu redor" (Marisa Monte), que comentei hoje na aula.
Tem algumas entrevistas dela no youtube, falando sobre o dvd.

http://www.youtube.com/watch?v=3xgAPkwpqTg



Bjs,
Dora

quarta-feira, 1 de julho de 2009


Eu acabei de postar aqui e me empolguei, decidi falar da proporção que o Theo Becker tomou após sua passagem conturbada por "A Fazenda", ele praticamente virou mito, antes se quase ninguém sabia quem ele era, hoje, se tornou um dos assuntos mais populares em qualquer lugar.
Com explosões, brigas fenomenais, e um jeito de fato meio louco fez fama, e foi exatamente isso que fez dele tão popular, esse toque de loucura e a famosa vergonha alheia, que sendo sincera, ele é o mestre nisso. Mesmo fora do programa ele continua sendo comentário, virou um personagem nacional.
Fazendo uma brincadeirinha, Andressa volta pra ele vai.
Ah gente, eu não sei quanto a vocês mas eu adoro, então vai aí momento Theo Becker. http://www.youtube.com/watch?v=R2gvThFLgEk
Isis Mesquita

O exemplo que eu escolhi foi o programa passado no multishow Conexões Urbanas, que tem como objetivo passar o cotidiano da favela, movimentos sociais que estão crescendo nas periferias do Brasil, e dos preconceitos vividos por quem mora lá.
Ele se relaciona tanto com o que é dito pela Paula Sibilia em “Show do Eu” quanto o que é passado em “Política das Representações” da Esther Hamburguer. Como são sujeitos que vivem no cerne destas comunidades transmitindo eles próprios sua realidade, o programa adquire um caráter de maior verdade e maior autenticidade, do que se fosse passado por pessoas que não estão inseridas nesta realidade, é esse “Eu”da favela sendo transmitido por quem tem mais autorização para falar sobre ele.
E da mesma forma eles estão gerindo a sua imagem para o público em geral, de forma que passam da forma que acham mais apropriada transmitir se distanciando de qualquer estereótipo do “favelado”, tendo consciência de que este setor, que é marginalizado tanto pela sociedade quanto pela própria mídia, de que não podem ser representados por qualquer um, o que indica essa consciência do falar de si para o resto da sociedade da forma mais próxima do que seria o real possível.

Aqui é um link do programa http://www.youtube.com/watch?v=OXZtcrUdZwE&feature=related

Isis Mesquita

Farrah Fawcett: Uma luta documentada

No dia 25 de Junho Farrah Fawcett morreu em decorrência de um câncer,e infelizmente,com a morte de Michel Jackson 5 horas depois,sua morte foi de certa forma abafada pela do rei do pop.
Mas Farrah deixou para o mundo um documentário que mostra sua luta contra o câncer,desde o dia em que foi ao médico e descobriu que a doença tinha voltado,até o dia da sua morte.A intenção original era passar o documentário apenas para seus amigos e familiares,mas posteriormente a atriz decidiu permitir que o filme passasse no canal NBC,por achar que sua história poderia inspirar outras pessoas.E tendo inspirado ou não,o documentário foi visto por mais de 9 milhões de pessoas.
O que me chamou atenção neste caso,foi a forma com que um momento que muitos julgam privado se tornou extremamente público.A atriz,que foi um dos maiores símbolos sexuais da década de 70,pode ser vista doente,vulnerável,montando uma espécie de diário filmado onde se mostrou de uma forma inédita.E isso é claro,atraiu a curiosidade de milhares de pessoas,que viam ali não somente uma celebridade,mas uma celebridade se mostrando comum.Em uma postura de 'qualquer um pode passar por isso'.E em meio a este espetáculo o seu recado foi devidamente dado.
Vou colar o link do vídeo aqui,porque não estava conseguindo carregar no blog.
http://www.youtube.com/watch?v=5rEuLRilWM4

Por: Chrissie Leite

Intimidade Exposta


Desde a criação do conceito de sociedade do espetáculo por Guy Debord, não conseguimos deixar de olhar o mundo em que vivemos como espetacular. Com o surgimento de novas tecnologias da comunicação, como a Internet, qualquer indivíduo pode se autopromover. Mas na medida em que o desejo de exposição aumenta, também há um crescimento da curiosidade em relação a vida dos outros, principalmente de personalidades públicas.
Brad Pitt e Angelina Jolie são o casal mais cobiçado do momento, e por serem grandes astros de cinema têm suas vidas pública e privada sendo perseguidas constantemente pelos paparazzi que obtem a função de divulagar o que os famosos fazem quando não estão sobre os grandes holofotes da mídia.
Porém na revista 'People Magazine', uma publicação norte-americana especializada em celebridades, o casal divulgou sua vida íntima por livre vontade e evitou briga entre as publicações e perseguições pelas primeiras fotos de seu gêmeos Knox e Vivienne, nascidos no dia 12 de julho de 2008.
As fotos foram vendiadas por milhões para a revista que as publicou junto com uma entrevista dos pais famosos. O que diferencia essa exposição do privado do trabalho feito pelos paparazzi é que o casal Brangelina tem uma certa autoridade do que é exposto, e consequentemente tem um controle da imagem que eles querem que o povo veja.
Angelina Jolie e Brad Pitt não foram os únicos acediados pela 'People Magazine'. Tom Cruise, Jennifer Lopez, Christina Aguilera, entre outros, também já foram capa da revista junto com seus recém nascidos. Essa foi a segunda vez que o casal Brangelina teve fotos de seus filhos publicados pela publicação, a primeira vez foi em 2006 com a exposição das imagens da primeira filha do casal Shiloh Novel.
Acredito que essa seja uma boa estratégia do 'show do eu'. A família é exposta porém de uma maneira mais cautelosa protegendo, assim, os filhos, matando a curiosidade da população e se autopromovendo.
Por: Leonardo Tadaiesky

Metamorfose Jackson



Na última quinta-feira, 25 de junho, morreu o Rei do Pop Michael Jackson. Sim, isso todos já sabemos. Mas uma pergunta que ainda ninguém conseguiu responder, continua no ar: quem foi Michael Jackson? Do menino negro de Indiana que conquistou o sucesso ao lado de seus irmãos à figura caricata e decadente dos últimos anos, o mundo acompanhou a uma mudança física drástica do astro pop. Clareamento de pele (com a camuflagem de um suposta doença), cirurgias plásticas constantes e transformações de cabelo criaram uma nova pessoa, que muitos chegaram a classificar como alienígena (alguém lembra de Homens de Preto?).

Respostas a essa “auto reforma” podem ser muitas, mas pode-se chegar a uma compreensão pensando na pessoa Michael Jackson e a mídia. A sua busca retrata o que muitos fazem, com menos intensidade logicamente, com o seu próprio corpo. Não basta consumir um produto midiático pela televisão ou outro meio que seja; os indivíduos querem a todo preço um pouco do modelo de perfeição vendido pela mídia. Corpo “sarado”, cabelo tal, roupa tal, cirurgias plásticas, lipoaspiração.

Se pensarmos assim, Michael Jackson foi o auge de toda essa representação. Um homem que moldou o seu corpo, baseando-se no que ele entendia como requisitos da mídia para ser uma estrela. O problema foi o seu excesso. E ao passo em que ele reconstruía o seu corpo, a sua nova aparência esquisita acompanhava a decadência de sua carreira. É como se a figura de um rei estivesse exaurida por tanta exploração de seus seguidores, da mídia e de si mesmo.

Agora, pensem na música Black or White. Não parece ser, mesmo que não com um intuito declarado, uma narração do astro sobre si mesmo? E pode ser mesmo. Que o diga a cena da metamorfose no final do clipe.

Veja o trecho do clipe Black or White:
http://www.youtube.com/watch?v=KZbD92LOIVk

postado por: Yan Caetano

Quando a Morte te deixa famoso: "Suicide Club"


À primeira vista, Suicide Club parece ser um péssimo filme, sem pé nem cabeça, com um roteiro amador e sangrento. Na verdade, muitos acham realmente isso. Mas em contraposição, O filme foi grandemente aplaudido em mostras e festivais, considerado um verdadeiro exemplo do cinema japonês contemporâneo.

Independente de ser um filme magistral ou não, Suicide Club procura fazer uma crítica ferrenha à sociedade moderna japonesa. O filme é resultado, também, de pesquisas que apontaram o Japão, em 2002, como o país com o maior número de suicídios do mundo (24 para cada 100 mil habitantes).

Sion Sono (esse é o diretor) procura levar a questão da cultura pop ao máximo neste filme. Ele faz do suicídio um modismo, que se iniciará quando um grupo de 54 estudantes suicidam nos trilhos de um trem. A partir deste fato, diversas ondas de suicídio começam a surgir no país. Quando o detetive chega próximo de uma suposta origem para as mortes, nunca obtém êxito, pois as mortes não param.
A questão principal é: “se tudo está virando modismo nos dias de hoje, por que não o suicídio?”. A sequência do link abaixo é perfeita para reproduzir tal pensamento. Um grupo de estudantes começa a brincar falando em suicidar-se e, de repente, formam o “Clube do Suicídio”. Podemos comparar o modo como eles falam em morte como quando a Barbie diz: “Vamos passear no shopping?” = “Vamos nos matar? :3”. A cena, de uma forma meio sádica, é hilária.

Outra questão interessante é que no filme não há realmente uma origem para os suicídios. O espectador acaba com um grandíssimo ponto de interrogação na cabeça. E é essa a intenção! Este filme não quer se estabelecer como um gênero específico, ele é, ao mesmo tempo, terror, suspense, comédia, romance, etc. Da mesma forma, ele não quer repetir o que os filmes hollywoodianos fazem, que é criar uma linha de raciocínio a partir de um sistema já antigo e dominante: o roteiro hollywoodiano clássico, que procura dar começo, meio e fim aos filmes, de forma que o espectador fique sempre satisfeito ao sair da sala. De forma provocante, Suicide Club vai mudar de foco narrativo a todo o momento, assim como veremos que o filme não tem protagonista.

Na minha opinião, Suicide Club é um filme hilário, nojento e, acima de tudo, nos faz pensar sobre o quanto estamos inseridos numa cultura do espetáculo e refletir sobre o que ela nos faz fazer para alcançarmos uma publicização suficiente da nossa imagem. Veja só: esses estudantes suicidaram e ficaram super famosos! O que tem de mal nisso?

Link para a sequência do suicídio na escola: http://www.youtube.com/watch?v=WWOwp8sALeo&feature=PlayList&p=E74A81FE220B19F6&index=4

Tem também o filme inteiro no youtube. :)

postado por: Juliana C. Roldan

A imagem de Barack Obama







É certo que, ser candidato à presidência do país de maior influência mundial, já o torna notório, e alvo da mídia, mas durante a campanha, do agora atual presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, observamos um marketing político envolvendo a utilização do potencial midiático, que rendeu frutos, um deles a própria eleição de Obama.
Sendo candidato, automaticamente Obama já tinha seu rosto estampado em jornais, revistas, mídias digitais em geral, reportado sempre que necessário e possível pela mídia, além de ter toda esta representabilidade por meio de/e pela mídia, sua assessoria conseguiu utilizar está como arma para construir e gerenciar a imagem do futuro novo presidente.
A criação de um site exclusivamente destinado à candidatura, não seria o primeira a ser feito em campanhas políticas, porém a feitura da campanha digital no caso Obama, ganhou repercussão e notoriedade muito maior que qualquer outra campanha que antes já tivesse usado o mesmo meio. Entendeu como utilizar o potencial midiático para ganhar ainda mais notoriedade, e não só isso, construindo a própria imagem, e se aproximando cada vez mais, através dessa política da representação, de seus eleitores.
http://www.barackobama.com/index.php

Sua imagem já se tornara pública, e como tal a estratégia da campanha de Obama mostra com clareza tal gerenciamento de sua imagem pública, através da utilização da linguagem apropriada, não só para criar redes sociais, mas também a sensibilidade de inserir em tais redes sociais uma linguagem específica, que molda e cuida nos mínimos detalhes deste “eu” público do atual presidente.
Sua campanha presidencial já é em si um espetáculo, a pessoa do candidato também se torna, porque não construir sua própria imagem?
Tendo ganhado a presidência, surgem então variações da utilização da linguagem espetacular no curso de seu mandato, utilizando toda esta lógica cotidiana e real.
Me atento então para a criação do Flickr da casa branca. Neste site oficial, são postados diariamente fotos do dia-dia do presidente, seu cotidiano, seus afazeres, sua hora de relaxar e sua vida em família. O que seria isso, se não um verdadeiro show do eu? A intimidade, construída, por imagens do presidente, um show bem gerenciado da imagem do “eu” familiar e presidencial, se a mídia já o representa, sua própria equipe reporta uma maneira de fazer circular e aproximar esta imagem de quem o elegeu, e claro de quem nem mesmo é norte americano.
Acredito que em todo o processo, tanto das eleições quanto agora com esta intimidade (gerencialmente) escancarada, mostra-se muito claro a lógica da política da representação e que me permitiu pensar toda a construção teórica estudada durante a disciplina. Fato é que, o processo Obama ilustra muito bem a interligação de toda a lógica espetacular.
http://www.flickr.com/photos/whitehouse/
Claro que, críticas e reportagens externas não escapam, no entanto possuindo todo este arsenal comunicativo construído a favor de sua imagem, é inegável que a visibilidade e o curso de seu mandato, assim como de sua candidatura, serão influenciados.
Um marketing político que deu muito certo, a visão da equipe de campanha de Barack, conseguiu reconhecer e utilizar a potencia da mídia como arma a seu favor, mas claro que a mídia sendo mediadora, uma janela entre o sujeito e a realidade, mesmo com toda a estratégia, ela trabalha como mediadora, mas não como definidora de leituras e apropriações.

postado por: Nayara Matos

segunda-feira, 29 de junho de 2009

2012

O filme ‘2012 – Catástrofe’, do diretor Roland Emmerich, especialista em filmes apocalípticos, como Independence Day, e O Dia Depois de Amanhã está previsto para estrear mundialmente em 13 de novembro de 2009.

Sinopse:Em 2012, quando desastres naturais começam a destruir a Terra, pesquisador acadêmico lidera um grupo de pessoas numa luta para evitar esses eventos apocalípticos que foram previstos num antigo calendário dos povos Maias e que pode culminar com o fim da civilização.”

A polêmica sobre o fim do mundo em 2012 está cada vez mais debatida, mas deve ficar mais ainda depois do filme que vai se basear na teoria do calendário maia que diz que o fim do mundo acontecerá em 21 de Dezembro de 2012. Se você não conhece a teoria do fim do mundo 2012 e está curioso, visite o site: www.fimdomundo2012.com

As profecias para o ano de 2012 são muito curiosas e, segundo alguns, matematicamente precisas de acordo com o calendário maia. Muitos dos acontecimentos atuais estavam previstos pelos maias, inclusive o apocalipse, que a bíblia e Nostradamus também citam, segundo alguns especialistas no assunto.

O filme promete ser uma grande representação catastrófica do que prevê o calendário maia e muitos outros profetas do passado, mas aí já fica à critério da crença pessoal de cada um. O fato é que o filme ‘2012′ irá mostrar eventos que estão acontecendo, como mudanças climáticas, inundações, Tsunamis, terremotos e diversos outros fenômenos catastróficos em grande escala.

Para além de qualquer julgamento que se possa fazer ao filme, um aspecto importante é observar como 2012, assim como qualquer outro filme sobre catástrofes que se propõe a mostrar eventos que ameaçam a existência humana, se utiliza da lógica do espetáculo, através de uma superprodução recheada de efeitos visuais impecáveis.

Por Milton Batista.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Vai dar meia hora...

... pra ler isso? Na verdade, o público alvo talvez, mas em geral leva só uns 10 minutos para ler o Meia Hora, jornal popular do Rio de Janeiro. Gente, popular não precisa ser assim escrachado, né?

Manchete de hoje:

Prefiro não comentar. Logo em seguida, na página principal do site, uma reportagem exclusiva com a Valesca (?) Popozuda (!?!), numa sessão de autógrafos (!!!) da sua Playboy (ahhh tá...) no Centro do Rio. Referente a isto temos a seguinte imagem:
Agora eu preciso comentar! A cara do sujeito olhando pra bunda da mulher fazendo menção de que vai bater nela! Isso sim é sensacional! E a quantidade de celular? Inacreditável. Melhor é rir de tudo isso...

Ah, e tem promoção. Quer ir com Valesca pro motel? Pois é, no Motel Mirante em Jacarepaguá, onde vai ser lançada a Playboy da funkeira... saiu na capa de uma edição anterior:

E mostrando algumas fotos do ensaio para a revista, tem uma bem polêmica:

É o encontro da vida marinha com a fauna de água doce.


Por Larissa Castanheira

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Internet, o novo Deus ...

Cadeirante brasiliense usa internet para voltar a andar

J. Moraes Redação Mais Comunidade

O mundo da internet tem se mostrado uma arma eficiente para mobilizar pessoas em torno de causas beneficentes . O caso da jornalista brasiliense Fernanda Fontenele, é um bom exemplo. Há cerca de seis anos ela sofreu um acidente de carro que a deixou tetraplégica. Com a ajuda de uma amiga publicitária, Fernanda montou uma campanha para angariar fundos para um tratamento que pode fazê-la voltar a andar. Por meio de ferramentas como blog, youtube e Orkut, Fernanda já conseguiu quase metade dos US$ 55 mil que precisa para o tratamento.

Nesta sexta-feira (19) acontece mais uma fase de sua campanha: uma festa que pretende divulgar e arrecadar mais fundos para sua viagem aos Estados Unidos. A festa, que acontece na próxima sexta-feira (19) contará com várias atrações como Dj's e músicos da cidade. O Mais Comunidade esteve com Fernanda que concedeu entrevista ao portal. Veja a campanha que sensibilizou milhares de pessoas.


Para ver os vídeos acesse a fonte!

http://www.maiscomunidade.com/conteudo/2008-05-19/brasilia/10754/CADEIRANTE-BRASILIENSE-USA-INTERNET-PAR-VOLTA-A-ANDAR.pnhtml


Ailatan Dias



Twitter vai tentar ganhar dinheiro com tweets patrocinados

twitter-logo-small11


Segundo Todd Chaffe, um dos investidores no Twitter, a empresa vai ganhar dinheiro com tweets patrocinados. Você receberá anúncios de acordo com o que fala no Twitter.

Falando com o New York Times, Chaffe diz que esta será um dos métodos de monetização do Twitter. “As pessoas já usam o Twitter para pegar recomendações de amigos no que comprar. [...] O e-commerce pode ser um bom negócio para o Twitter.”

Vamos ver como a empresa irá implementar isso - não quero ficar recebendo mensagens diretas de empresas, mas também quero ver o Twitter monetizando seu serviço.


por Guilherme Cherman em 21 de junho, 2009 às 8:15 PM

in
http://jornaltecnologia.com.br/2009/06/21/twitter-vai-tentar-ganhar-dinheiro-com-tweets-patrocinados/


Ailatan Dias

sábado, 13 de junho de 2009

Para que serve o Twitter

Para quem quer enteder uma das utilidades do Twitter, aqui vai uma vídeozinho interessante (e bem ilustrativo).


video



Abraços,
AilatanDias

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Nativos Digitais

O Globo - Revista Digital - segunda-feira, 18 de maio de 2009





CHOQUE DE GERAÇÕES


Nativos digitais já estão dominando o mundo e transformando a forma como o ser humanose comunica.

Eles são capazes de ver TV, ouvir música, tedar no celular e usar o - notebook, tudo ao mesmo tempo. Ou seja, são multitarefas. Adoram experimentar novos aplicativos, têm facilidade com blogs e lidar com múltiplos links, pulaudo de site em site, sem se perder. Interagem mais uns com os outros; “acessam-se” mutuamente para depois se conhecer pessoalmente. Esta é uma pequena descrição dos Nativos Digitais, termo que define os nascidos depois dos anos 80. Opondo-se a eles estão os Imigrantes Digitais, outra terminologia recente que engloba as pessoas que não nasceram na era digital mas que estão aprendendo a lidar com a tecnologia ou, em alguns casos, até mesmo se recusando a aceitá-la.
Expressão cunhada em 2007 por Marc Prensky; pensador e desenvolvedor de games, o termo Nativos Dígitais está sendo estudado como um fenômeno que pode causar impactos inclusive no mercado de trabalho. lo-. je, essa geração representa 50% da população ativa (pessoas de até 25 anos), mas em 2020, com o crescimento demográfico, eles serão 80% da população.
“Se você quer entender a Geração lnternet, você precisa entender o futuro. E meu filho frequentemente me lembra que o futuro é agora”. A frase, de autoria de Don Tapscott, autor de “Grown up Digital” e também do famoso “Wikinomics” resume bem o novo conflito de gerações. Isso porque a nova geração, também chamada de Y
termo rechaçado pela maioria dos pesquisadores
já se apropriou dos meios digitais e, agora, se comunica e se informa, age e até pensa de forma ‘diferente” (confira as principais diferenças entre as gerações na próxima página).
Luíza Mitke, hoje com 11 anos, é a típíca representante da geração de Nativos. Assim como a maior parte dos seus amigos, ela passeia com naturalidade por redes sociais online, usa MSN, celular, tem email e blog
ou seja, domina a internet.
Para Luíza, a rede é apenas mais um meio, não uma assustadora novidade. Ao mesmo tempo, saca tanto de computador que foi a responsável pela inclusão digital da mãe e da avó. Dos meios “analógicos” comuns à geração anterior, só conhece a máquina de escrever, que no entanto nunca chegou a usar. Carteiro, então, ela só viu passar na rua.
-
Realmente não sei como mandar uma carta direitinho diz ela.
Luíza faz parte, diz o estudioso do assunto e consultor em lnovação’e Tecnologia Volney Faustini, da geração “banhada em bits”, que está promovendo uma mudança radical na forma como o ser humano interage com o mundo.
De acordo com Faustini, é possível um imigrante digital conviver em harmonia com a nova geração, mas este nunca vai perder o “sotaque”:
-
Como imigrantes digitais, falamos com sotaque. O nativo fala a linguagem digital com naturalidade e pertinência. Ele sabe inclusive ler na tela do computador. Já o imigrante não tem a mesma desenvoltura, a mesma fluência. Não à toa, este ainda imprime emalis para ler diz o estudioso. ____________________________________________________________________________________

Para entender melhor os nativos digitais


· GROWN UP DIGITAL: www.grownupdigital.com/

· MARC PRENSK criador do termo ‘Nativos Digitais:
www.marcprensky.com

· MEU FILHO DIGITAL: BIog de Volney Faustini. Em http://meufiIhodgitaI.bIogspoLcom

· LIVRO “BORN DIGITAL’: estudo completo sobre o assunto feito pela Universidade de Harvard, nos EUA. Em http://www.borndigitaIbook.com/

· BLOG DE SÍLVIO MEIRA: http://smeira. blog.terra.com.br/

· ESTUDOS SOBRE NATIVOS DIGITAIS: Em bttp://IinyurLcom/c4dryt

· DIGITAL NATIVES NO TWITTER: Em http://twitter. com/digitalnatives

· ESTUDOS DE HARVARD SOBRE O ASSUNTO: http;// tinyuitcom/dxes7n


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O especialista Volney Faustini cita uma analogia para explicar como um imigrante digital pode lidar bem (ou não) com a nova geração Web: um estrangeiro que chega no Brasil pode aprender a falar português fluentemente (com sotaque) e se sentir à vontade, “em casa”, ou viver aqui 40 anos e nunca perder o sotaque carregado e continuar se sentindo um peixe fora Iágua. Se é possível uma boa convivência? Sim, mas as diferenças vão continuar existindo.
O jornalista Fausto Rêgo, pai de Luíza, é daqueles que se enturmaram, a ponto de ter mais características de nativo digital que de imigrante.
Apesar de ser um “nativo analógico”, fiz bem a transição. Me encantam as possibilidades da tecnologia, a quebra de hierarquias gastas, a capacidade de fazer mais com menos. E isso tudo mesmo me assumindo um sujeito linear e sequencial, que faz uma coisa de cada vez. Minto: até faço,mas me incomoda dar conta de várias tarefas ao mesmo tempo. Deve ser bug meu.
Para Faustini, não é bug não, éo uso da tecnologia que faz com que o imigrante se adeque à nova realidade. Ele cita o estudioso Malcolm Gladwefl, para quem são necessárias dez mfl horas para que qualquer pessoa tenha fluência em qualquer coisa
como idiomas em geral e a linguagem digital em particular
O
nativo está mais pronto para a tecnologia. Estudos indicam que nossos filhos têm plasticidade cerébral diferente da nossa. O que pode explicar que ele seja capaz de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, como assistir TV com fone no ouvido e teclando no PC
diz Faustini.
O pensador e especialista em computação Silvio Meira cita o “tecnólogo” inglês Douglas Adams para explicar a geração nativa digital. Disse Adams que “tudo o que existe quando você nasceu é absolutamente normal para você”.
Tenho email há 28 anos. Não sou imigrante, faço parte da tecnologia. A questão não é de idade ou de percepção, e sim de entender a mudança de cenário diz Silvio.
Lembra ele que a tecnologia é rápida demais, e que é necessário correr atrás.
—A cada l8 meses dobra a capacidade de processamento dos micros; a cada 12 meses, a de armazenamento; já a velocidade de transmissão de dados dobra a cada nove meses, enquanto o preço de tudo permanece o mesmo. Na hora em que se percebe isso, é preciso se perguntar: “onde estou?”. Muita gente espera que a tecnologia esteja aí pelo menos por dez anos até se adaptar a ela, como foi com a internet. Ai vem uma geração nova que vai te passar para trás e tomar seu lugar
diz.
Outra que não se encaixa na categoria “imigrante” é Ana
Cristina Fíedier, mãe de Bruno, de 10 anos. Embora admita que o filho é mais capaz de lidar com muitas coisas ao mesmo tempo, ela cria para si uma nova categoria: a dos “migrantes pendulares”.
Não diria que sou uma imigrante, mas lidando com a internet a gente aprende todo dia. Talvez eu seja a tradicional migração pendular que a gente viu nos livros escolares sobre as pessoas que moravam em Niterói e trabalhavam no Rio: vamos e voltamos todos os dias diz ela.
A internet surgiu na vida de Ana quando ela estava entrando no mercado de trabalho e alterou completamente a forma como ela exercia suas funçÕes.
Isso criou uma janela de oportunidade para quem estava começando. Lembro que, naquele período, muitas vezes expliquei como as coisas funcionavam para chefes. Acho que esse aspecto é o mais interessante da internet: o F5 (tecla de “atualizar” no teclado) eternamente pressionado. Agora, por exemplo, estou tentando me adaptar a essas novas formas de comunicação via redes sociais e microb logs — diz.
Redes que seu filho
Bruno já domina e bem. Ele usa celular e internet todo dia, conversa no Orkut e no GTalk com os amigos, usa o Google para pesquisas mas sente falta de uma aproximação maior dos professores com a tecnologia questão levantada por todos os especialistas.
Coordenadores de escola, educadores e diretores estão apáticos. A escola é teórica, mas o vetor digital, que não está sendo levado em consideração, transformou a sociedade de forma radical. E como afinar o violino no convés do Titanic — diz Faustini.
Na opinião do educador Muniz
Sodré, é errado pensar que a interatividade e o “digitalismo” são propriedades da máquina. E é assim que os professores pensam.
— Este é um momento polifônico, de vozes que precisani se juntar Os professores ainda estão num modelo criado no Século XIX, o de prisão e igreja, no qual o professor é um pregador e a interatividade é mínima. Mas a era polifônica obrigada que o ambiente seja interativo. Eles precisam se abrir para as novas tecnologias e as novas formas de pluralidade.

“É PRECISO SE ABRIR PARA AS NOVAS TECNOLOGIAS E AS NOVAS FORMAS DE PLURALIDADE”.

AilatanDias

Susan e as sobrancelhas


O Globo- Segundo Caderno - Quinta – feira, 28 de maio de 2009

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Susan e as sobrancelhas

Renato Lemos

Outro dia, no programa “Superbonita”, exibido pelo GNT, Taís Araújo e Cléo Pires conversaram por aproximadamente 10 minutos sobre sobrancelhas. Foi um papo animado discutiam como se falassem de questões realmente sérias, como a ida do Obina para o Palmeiras ou a inapetência do ataque do Botafogo. Estavam as duas deitadas em macas de massagem, costas nuas, nos jardins do hotel Sheraton, em São Conrado. Era uma daquelas manhãs luminosas de outono no Rio: o céu azul, o mar com espumas brancas, ventinho. Enquanto debatiam sobre os cuidados que toda mulher deve ter ao arrancar os pelos da face, outras duas mulheres massageavam e davam tapinhas em suas costas. Muito bom. Taís e Cléo, além de espetacularmente lindas, são espertas o suficiente para fazer tudo àquilo – truques de pigmentação, preenchimento de falhas, uso do Botox para atacar as rugas – parecer convincente. Diziam que, de um jeito ou de outro, as sobrancelhas podem ser um caminho seguro para se conhecer a essência de uma pessoa. Funcionou direitinho, pelo menos comigo. Até então sobrancelha era para mim uma coisa insignificante, tanto que só há pouco tempo aprendi sua grafia correta – cismava que era sombrancelha. Quando acabou o programa fui imediatamente até o espelho verificar as quantas andavam as minhas. Caramba, as meninas tinham toda razão. Olhando de perto, minhas sobrancelhas tinham o aspecto de uma BR – 101 em dia de obra. Era um caminho sem volta.

Susan Boyle, a escocesa que conquistou o mundo cantando “I dreamed a dream” no “Britain’s got talent”, program de calouros da Inglaterra, deve ter uma Taís ou uma Cléo soprando coisas em seus ouvidos. Em sua primeira apresentação, há cerca de um mês, Susan, que tem 47 anos e garantiu jamais ter sido beijada pra valer, compareceu aos estúdios enfiada em um vestido - vovozinha e, como único enfeite, um colar que parecia apenas um suporte para seu crachá (numero 4.321) pendurado. O cabelo era uma nuvem. Sapatos altos, Karl Lagerfeld, o estilista alemão que disse certa vez que um salto sete e meio salva qualquer postura, não deve ter imaginado gente como Susan usando um deles. No palco, ela era, antes de tudo, feia. Mas, acima de tudo isso – como se sinalizasse firmemente o tal caminho para se conhecer a essência de uma pessoa-havia as sobrancelhas no seu rosto. Duas. Enormes. Ferozes. Dignas. Olhando uma para outra, como duas taturanas prestes a entrar em guerra.

Domingo passado, quando disputou a semifinal do concurso, isso tudo tinha mudado. Susan reapareceu no programa como uma espécie de Dilma em inicio de campanha. Uma beleza, tipo caso de “antes” e “depois”. Usava um vestido escuro, daqueles que emagrecem. Ela cantou “Memories” tirada do musical “Cats”. É uma musica bonita. Lá pelo meio, a letra evoca tempos de felicidade e beleza. No palco, de sobrancelhas feitas e maquiagem discreta, Susan parecia uma outra mulher. Talvez por isso tenha cantado pior (chegou a desafinar tristemente nas primeiras notas). Ou talvez por isso, pela primeira vez tenhamos prestado mais a atenção à sua voz que a seu rosto. O povo bateu palmas, soltou gritinhos e a caloura faturou a chance de disputar a final do programa. Justíssimo, diga-se. Mas, no dia seguinte, os acessos ao vídeo na internet caíram para a terça parte dos registrados na estréia.

Antes de mais nada – e Maria Gladys está aí há muito tempo para confirmar -, não existe mulher feia. Nem é você que esta bebendo pouco. Há sempre alguma coisa bacana em toda mulher. Ou são os olhos. Ou as coxas. Ou ela rebola direitinho. Ou ela compra livros maneiros. Ou usa óculos legais. E saias no meio do joelho. Ou fala coisas que você gosta. Ou o acompanha nos “Velozes e Furiosos 4”. Ou fica quieta num canto. Ou tem um cheiro bom. Ou bebe cerveja com você. Ou diz que torce pro seu time. Ou faz lista pequena no supermercado. Ou usa biquíni de lacinho. Ou escreve poesia em cadernos escolares. Ou coleciona os mesmos quadrinhos que você. Ou tem uma covinha engraçada na virilha. Ou tem peitos de mamão papaia. Ou simplesmente é feia, mas canta bem. Como Susan.

Mas – vai daqui um apelo patético – queremos as sobrancelhas de Susan de volta. Susan sem sobrancelhas é como a Monalisa sem aquele sorrisinho maroto. Ou a Renata Vasconcelos sem as covinhas na bochecha. Falta algo. Personalidade. Cultivo. História. Alem de grossas elas desenham rotas em seu rosto, orientam as emoções. Sem sobrancelhas, Susan é uma cantora qualquer uma daquelas meninas do Raul Gil que não irão à parte alguma. As sobrancelhas de Susan – mais do que a sua voz – nos davam motivos sinceros de torcer pelo seu sucesso. E ter um lado para torcer é coisa essencial na vida de qualquer um.

David Lynch, o cineasta truqueiro de “Cidade dos Sonhos”, filmou “O homem Elefante” em 1980. Era um filme baseado em uma história real sobre um homem, John Merrick, com uma enorme deformidade facial, que é violentamente explorado em freak shows. O filme, melancólico e angustiante, foi produzido por Mel Brooks. O resultado é um freak movie filmado com muita categoria e sensibilidade. Na época do lançamento Lynch revelou que optara por guardar imagem do rosto de Lynch (John Hurt em atuação poderosa) para o exato momento em que a platéia estivesse dividida entra a aversão e a atração. E, a partir daí, faze-la optar pelo lado mais fraco da corda. Ele sabia que, se guardasse seus trunfos na manga poderia trazer a plateia definitivamente para seu time – e faze-la amar seu personagem. Todo mundo torce para o mais fraco, ou para o mais feio, vá lá.

Susan Boyle não é O Homem Elefante, é preciso que se esclareça. Está muito longe disso. Parece ser uma ótima companhia para um chope com torresmo no botequim da esquina. Além de cantar muito bem, é óbvio. A historinha é apenas uma ilustração dos códigos de funcionamento do mundo do espetáculo. Dos freak shows ao cinema, passando pelos programas de calouro, claro. Chacrinha que o diga. E o Ugly Betty também. O sucesso não costuma o meio-termo. Ou é ou não é. Nada mais longe do mundo do espetáculo do que o “quase”. Ali, ninguém pode ser quase bonito. Nem quase feio. Mesmo com um tratamento “superbonita” a que foi submetida, Susan ainda é feia ( ou linda, vá lá ! ) o suficiente para driblar os “quases” e vencer no final. Mas, se fosse ela, eu tratava de deixar minhas duas taturanas de molho.


AilatanDias