terça-feira, 28 de abril de 2009

E você, se deixa alienar? Ou, utiliza deste mais um instrumento para trabalhar seu raciocínio crítico?



Na última aula do dia 16/04 se instalou na sala uma discussão sobre o poder de hegemonia da Tv Globo.
Ao ler a última postagem do blog resolvi postar, além do meu comentário, mencionar um documentário que foi feito há mais de 15 anos, mas que, salvo suas considerações devidamente contextualizadas com a época em que foi produzido, ainda carrega em si questões que podem ser tencionadas para a atual realidade do poder da emissora.
No documentário, o ex-presidente e fundador da Globo, Roberto Marinho, foi o principal alvo das críticas , sendo comparado a Charles Foster Kane, personagem criada por Orson Welles para Cidadão Kane, um drama de ficção baseado na trajetória de William Randolph Hearst, magnata da comunicação nos Estados Unidos.Segundo o documentário, a Globo emprega a mesma manipulação grosseira de notícias para influenciar a opinião pública como o fez Kane.
O filme seria exibido pela primeira vez no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro do Rio de Janeiro, em março de 1994. Um dia antes da estréia, a polícia militar recebeu uma ordem judicial para apreender cartazes e a cópia do filme, ameaçando em caso de desobediência multar a administração do MAM-RJ e também intimidando o secretário de cultura, que acabou sendo despedido três dias depois.

Durante os anos noventa, o filme foi mostrado ilegalmente em universidades e eventos sem anúncio público de partidos políticos. Em 1995, a Globo tentou caçar as cópias disponíveis nos arquivos da Universidade de São Paulo através da Justiça Brasileira, mas o pedido lhe foi negado, mas o filme permanece proibido de ser transmitido no Brasil.
E deixo aqui a questão de nosso posicionamento, não mais de espectadores passivos mas, de uma postura crítica e dialética através e utilizando essa mídia tão duramente criticada por uns e ingenuamente influenciada por outros.
Somos alienados?Alienadores? Ou, possíveis construtores de uma geração mais crítica ao que lhe é entregue ao alcance de sua vista.
Assistam. Vale à pena para pensar na poderosa hegemonia desta enorme emissora e de seu poder como mídia de massa e, o que mudou desde a produção deste documentário para a contínua corrida da Tv Globo pelo "poder da informação", segura e articulada com seu tempo.
Neste link dá para assistir diretamente ao documentário. Espero que assistam e reflitam. E contextualizem, por favor, se não este post não fará sentido algum



http://video.google.com/videoplay?docid=-570340003958234038&q=rede+globo



Postado por (Nayara Matos)

3 comentários:

Gyssele Mendes disse...

Acho que seríamos reducionistas demais em pensar que a mídia simplesmente nos manipula e aliena. É inegável seu papel na formação de opinião e na produção de sentido na sociedade, no entanto, é igualmente inegável que os sujeitos tem papel ativo nessa recepção. Porque pensar que pessoas 'não instruídas', academicamente falando, são manipuladas e alienadas por uma mídia cruel e nós, universitários, não o somos?? Só porque estudamos Adorno e seu radicalismo quanto à indústria cultural, ao lixo cultural produzido pela cultura de massa? Será que não estaríamos sendo igualmente radicais ao tratar de 'alienados' e 'não alienados'?

nayara disse...

Não quis tratar do fato de que a mídia aliena simplismente aliena até pq eu não sou defensora de tal idéia, e sim o seu poder de influencia e qual a postura do individuo seja ele, "academicamente instruido" ou não(o que não impede de nehuma forma na capacidade de se ter um pensamento crítico) pode ter diante de queluquer tipo de mídia!
Concordo plenamente com o reducionismo que seria feito ao pensar a mídia como simples alienadora, e é exatamente nesta postura, na relação que tenho com o pruduto que vai ser efetiva a contribuição na formação da cociedade.
Ao "nos" atentar para o pensamento crítico, não tento chamar somente nós estudantes de mídia para tal debate mas sim toda a massa que está diante de tal fenômeno, e que é plenamente capaz de exercer uma postura diáletica.

Érica Ribeiro disse...

Se começarmos a pensar em alienação a discussão nunca tem fim, até porque sempre se é alienado em alguma coisas, seja por interferência da mídia ou não. O simples fato de assumirmos uma posição e não aceitarmos outras opiniões (sobre qualquer coisa), já traz um sentido de alienação, não?
Mas se levarmos em conta o fato de discutir o assunto abertamente já mostra uma pretensão de não se deixar levar por tudo que dizem por aí.
Respondendo a pergunta principal, e diante do que escrevi, às vezes coloco a 'cachola' para funcionar e ver o mundo, as ações, de uma forma crítica; mas outras, realmente abstraio, coloco a mente para voar e deixo entrar tudo quanto é coisa inútil (ao menos para mim) de tal forma que me envolvo. Fazer o quê? Estou no mundo, faço parte dele e tento me relacionar da melhor forma possível com ele.
Ah! E o vídeo é muito bom, lembro de muitas discussões entorno disso. Antes censurado, agora 'democratizado' nos sites de vídeos. No Youtube também tem dividido em partes, basta procurar por BBC - Muito além do Cidadao KANE.