segunda-feira, 11 de maio de 2009

<*/life>


Aproveitando o último post da Larissa, vamos continuar a reflexão sobre o Orkut. O maior site de relacionamentos do mundo no Brasil tem dado muito trabalho a Google ultimamente. Trata-se do cúmulo da cultura midiática: uma caça aos defuntos na rede.

Existem várias comunidades no orkut à procura de profiles de usuários que já faleceram. Em tópicos, os participantes destas comunidades expõem os profiles aos demais membros que vão lá dar uma fuxicadinha, e quando não satisfeitos, optam por aborrecer um pouquinho a vida dos familiares.

Houve caso de pais acionando a Justiça para exigir da Google a exclusão da página pessoal da filha que havia morrido. A menina morreu num acidente de carro e deixou no orkut várias fotos com roupas de banho que foram alvo de várias edições e exposições na internet. Depois de meses pós a morte da menina é que a página foi finalmente retirada do ar. Esse e muitos outros casos semelhantes que vocês podem acompanhar ao tornarem-se membros das "benditas" comunidades.

É fato! Comunidades assim são super famosas. A comunidade mais famosa do orkut em relação isso: PGM - Profiles de Gente Morta tem 62.481 membros hoje.

Um dos perfis mais comentados na PGM é o de Roberta, que segundo as especulações da comunidade teria cometido suicídio depois que o namorado terminou com o namoro de três anos. Os familiares negam e dizem que ela morreu de ataque cardíaco. Que seja. A questão é que o irmão da Roberta tenta sem sucesso descobrir a senha pessoal da irmã para excluir a sua conta no orkut. No orkut, como sabemos, só quem detém a conta pode publicar fotos, apagar os recados, e excluir a conta porque o acesso é feito mediante senha pessoal, que na maioria das vezes não é compartilhada com amigos ou familiares.

O criador da PGM, Guilherme Dorta, explica que não é a sua intenção denegrir a imagem das pessoas. "A comunidade é dedicada à pesquisa de falecidos. A idéia é mostrar que, de uma hora para a outra, nossa vida acaba e deixamos tudo para trás, inclusive banalidades como Orkut, Fotolog e MSN", justifica na descrição da comunidade.
[Débora Nunes]

Um comentário:

Érica Ribeiro disse...

A idéia do criador da comunidade gera uma reflexão, é bem interessante... mas, após a morte, tudo é deixado, não somente Orkut, MSN...
O caso me fez lembrar de uma conhecida, falecida em um acidente de carro. Parece que depois da sua morte, todos começeram a enviar mensagens para sua página, como se os recados pudessem ser lidos por ela... Coisas do tipo: 'nós adorávamos vc' e 'que vc descanse em paz'. Ou pior, do namorado, que somente após a saída do hospital soube da notícia. Tinham mensagens quase que instantaneamente...
Indo mais além, eu entrei (como podem constatar), pois a fototinho dela entrou lá na página principal um dia - indicativo de que alguém entrou com o usuário dela.
Então, há também o outro lado, daqueles que querem cultuar a imagem do outro e torná-la, de certa forma, imortalizada, perpétua.