Este blog nasceu de um exercício dos alunos de Mídia e Cultura de Massa, disciplina do curso de Estudos Culturais e de Mídia da UFF, ministrada em 2008 pela Prof. Mariana Baltar. Assim, ele é um espaço fragmentado nas mãos de 18 autores que postam comentários e anotações que dão conta desse mundo atravessado pela cultura das mídias. Cada post traz em si – ainda que nem sempre explicitados – os traços da discussão teórica que costura nossa experiência dentro e fora da sala de aula.
A briga entre alguns jornais no Rio de Janeiro chega cada vez mais à publicidade. A última que vi foi no Metrô (Linha 2) sobre o caderno Ataque, suplemento de esportes do jornal O DIA (acho que estou ficando repetitiva com essa publicação, mas fazer o quê, é ela que está chamando a minha atenção nos últimos dias...).
O 'espetáculo' da propaganda está em um banner que traz como chamada 'o melhor lance é o ataque', em uma citação diretíssima ao seu concorrente Lance (L!). E não para por aí. Devido aos jornais voltados para torcidas, como o Vencer (do grupo Lance) e o Jornal da Nação (Jornal dos Sports) para os flamenguistas de carteirinha, ao final encontramos a seguinte colocação: 'o jornal de todas as torcidas'. Só faltou dizer: Diga não a segregação das torcidas, vamos todos dar as mãos etc... e, por favor, comprem O DIA.
Inaugurando os trabalhos deste semestre, chamo atenção para um fato que me incomodou esta semana: em pouquíssimo tempo o jornal O DIA mudou novamente de cara. Por informações internas (tenho um amigo de lá), a direção do jornal espera vender mais com essa nova alteração.
O estranho é que a nova cara do jornal se parece muito com uma anterior (antes da última reforma, que tornou a marca azul e laranja). Agora, ele voltou a ter a marca em amarelo e azul e passou a ser em um formato menor - segundo o jornal, mais fácil de manusear. Mas o que interessa é o pouco tempo que a, agora, antiga marca ficou circulando.
Só para situar, o jornal O DIA está há mais de 50 anos no mercado, mas somente quando o jornalista Ary Carvalho o adquiriu, o jornal ganhou mais notoriedade, com notícias de forte apelo popular, era o chamado jornal que 'espreme e sai sangue' - como o Povo era há algum tempo atrás.
Na década de 90, com a jornalista Ruth de Aquino na direção, o jornal sofreu uma grande transformação, não somente no conteúdo, como também no visual (a marca abaixo)
Com a chegada do jornal EXTRA no mercado, O DIA começou a perder leitores. Assim, em 2006 (2 de abril), aparece sob uma reforma gráfica drástica (marca abaixo). Sob a campanha 'Qual o papel do jornal de papel?', o diário parecia que queria atingir um novo público, lançado ao preço de R$1,50 nas bancas.
Parece que O DIA estava até conseguindo pegar uma outra fatia do mercado, pois há pouquíssimo tempo O GLOBO lançou a campanha 'Muito além do papel de um jornal' (vídeo da campanha no final do post). Propositalmente ou não - pois fala mais sobre o fato de se ter notícias em qualquer lugar - conhecendo-se as campanhas, a ligação é quase que instântanea. E, quando achei que a briga pudesse realmente acontecer, eis que surge um novo jornal O DIA, apenas três anos após a última reforma. A marca, desde o último domingo (15 de março), aparece desta forma:
Gostaria mesmo de saber qual o motivo (sério, de verdade) que levou a nova mudança gráfica no jornal. Se sabe que marcas podem ser reformuladas sem prejuízo à imagem da empresa, mas como fica o leitor que reconhece o jornal que lê (de longe) pelas cores, pelo tamanho, pelo jeitão dele? Ao folhear o jornal se percebe pequenas semelhanças com seu irmão, o jornal MEIA HORA; será o jornal O DIA não está cavando a própria cova e retirando leitores de uma publicação para a outra? Mais leitores ou menos leitores, a volta a uma idéia anterior da marca é clara, principalmente se colocarmos às últimas três uma ao lado da outra. Veja:
Pelo visto, o próximo passo será voltar ao 'espreme que sai sangue'...